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Coisas Boas e Coisas Más
Pr. Sidson Novais

“Isto é uma coisa boa... aquilo é uma coisa má... “ Quando algo nos acontece, somos rápidos em definir se aquilo se enquadra na lista das coisas boas ou na das coisas más. De alguma maneira, temos uma necessidade de avaliar as circunstâncias da vida de acordo com estes dois parâmetros. Só que agir assim é simplificar demais a vida.

Tempos atrás, numa pequena aldeia, um rapaz de dezoito anos sofreu uma queda enquanto andava a cavalo e fracturou gravemente uma das pernas. Os vizinhos iam visitá-lo em casa e diziam todos “mas que coisa má aconteceu a este rapaz... ele ficará mais de quatro meses sem andar!” Mas o pai do rapaz sempre expressava outra opinião: “afinal, ainda não sabemos se o que lhe aconteceu é bom ou mau”. Com isso, os vizinhos ficavam sem entender os comentários daquele pai que parecia não saber avaliar os acontecimentos da vida.

Dez dias depois, estourou uma guerra e todos os rapazes saudáveis daquela aldeia tiveram que engrossar as fileiras da frente de uma forte batalha. E assim, o desagradável acidente daquele rapaz proporcionou-lhe a sua sobrevivência. Agora, o pai do rapaz era invejado pelos vizinhos que tinham os seus jovens filhos envolvidos numa perigosa batalha. Aquele pai somente recusou-se a avaliar precipitadamente os pequenos incidentes da vida.

Na Bíblia, vemos uma situação de certa forma semelhante. José, um jovem rapaz de dezassete anos, foi tirado do seu lar e levado, como escravo, para o Egipto. Qualquer avaliação rápida da situação de José levar-nos-ia a classificá-la como uma coisa má. E, de facto, numa avaliação a breve tempo era mau. Porém, a longo prazo seria benéfica. Se não conhecêssemos o final dessa história, dificilmente conseguiríamos intuir que daquela situação de perda na vida de José muitas coisas boas aconteceriam. José ganhou muito com a sua tribulação! A família de José foi directamente beneficiada pelos anos de dificuldades que José teve que enfrentar. Muitos povos tiveram a sua existência preservada pelo desenrolar magnífico daquele infortúnio de José.

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor”
Isaías 55:8

As nossas avaliações rápidas e automáticas têm pouca durabilidade. A nossa agilidade em colocar as coisas no lado esquerdo ou direito de uma lista de coisas boas e coisas más muitas vezes nos impede de perguntar a Deus o que Ele pode e deseja fazer com aquela situação.Temos que ser humildes para reconhecer que as visões que temos acerca das circunstâncias da vida são muito limitadas. E as nossas avaliações dessas circunstâncias são muito tendenciosas. Entretanto, Deus vê o que não vemos, sabe do que não sabemos e pode fazer aquilo que não podemos.

“Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos dos que os vossos pensamentos”
Isaías 55:9

E que tal se passássemos a pensar não somente nas avaliações de breve prazo mas também nas de longo prazo?

E se elevássemos a nossa fé ao ponto de acreditar que até os incidentes maus vão, de alguma maneira, contribuir para um bem maior?

E se deixássemos Deus ser Deus nas nossas vidas?

 
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