| Relacionamento Pai-Filho |
| Pr. Sidson Novais |
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Em muitas situações, quando Jesus queria ensinar alguma verdade preciosa, Ele proferia uma parábola. Todas as parábolas de Jesus contêm riquezas espirituais inestimáveis. A parábola do filho pródigo, por sua vez, dá-nos tremendas lições sobre o relacionamento de Deus, o nosso Pai, com cada um de nós, Seus filhos. O filho mais moço saiu de casa e gastou a sua parte da herança com uma vida errada e, depois de um certo tempo, voltou arrependido. O pai, com um coração de amor e de perdão, o recebeu com um abraço, dádivas honrosas e uma festa. Esta é, normalmente, a parte desta parábola que mais é ensinada em nossas igrejas. Entretanto, neste estudo, eu quero ministrar não sobre o filho pródigo, mas sobre o seu irmão mais velho. Esta parábola é muito rica, ela não pretende ensinar apenas sobre o pai e o filho mais moço, ela enfatiza também as atitudes do irmão mais velho daquela família. Se podemos dizer que há muitas pessoas que se identificam com a figura do filho pródigo, também é certo que há outras que se identificam com o filho não pródigo, o que ficou em casa. Vejamos, em Lucas 15:29, quais eram os conceitos distorcidos que o irmão mais velho tinha acerca do relacionamento entre pais e filhos: 1 - Um filho agrada o pai quando mostra trabalho. “...há tantos anos te sirvo...” Muitos filhos de Deus estão a servir nas igrejas e alguns já estão a servir a muito tempo. Isso é muito bom! Entretanto, é importante saber com quais corações estão a servir? O irmão do filho pródigo perdeu a oportunidade de relaccionar-se intimamente com o seu pai por causa de uma concepção errada sobre o relacionamento entre pai e filho. Ele acreditava que iria agradar o seu pai através do seu trabalho. Na cabeça dele, o trabalho era o mais importante, era aquilo que o pai esperava dele. Da mesma forma, alguns filhos de Deus estão apenas a mostrar trabalho e esquecem-se de que o mais importante é a comunhão íntima com o Pai. Estes filhos de Deus, normalmente, ficam muito chateados quando vêem o Pai abençoar pessoas que não mostraram trabalho como eles estão a mostrar. Quando o Pai resolve abençoar um novo convertido, você que já está a trabalhar “em casa” a muito tempo, fica com ciúmes ou fica realmente feliz? 2 - Um filho agrada o pai quando cumpri regras, leis. “...nunca transgredi um mandamento teu...” O irmão do filho pródigo esforçava-se para agradar o pai com o seu trabalho e também com o cumprimento de regras e leis. Quando o seu pai abençoou o seu irmão “rebelde”, ele fez questão de ressaltar as suas próprias boas obras: “há tantos anos te sirvo e nunca transgredi um mandamento teu”. Ele não compreendia como o seu pai poderia abençoar aquele que saiu de casa e gastou mal todo o dinheiro da sua herança. Na mente dele, o pai não estava a ser justo. Ele acreditava que o amor do pai só poderia ser dado àqueles que trabalham e cumprem regras. Na verdade, ele não compreendia o que é ser pai. Estava acima de sua compreensão que o amor de um pai pelo filho ultrapassa questões de trabalho e leis. 3 - Se um filho cumprir as duas condições acima, ele merece um prémio. “...contudo nunca me deste um cabrito...” Depois de ressaltar as suas próprias boas obras, o irmão do filho pródigo tocou no ponto que o incomodava: “nunca me deste um cabrito”. Ele baseou o relacionamento com o seu pai numa concepção errada: quando eu agradar o meu pai com trabalho e cumprimento de leis, ele vai abençoar-me. Sendo assim, ele não aceitava que o seu pai fizesse uma festa para o irmão que não mostrou trabalho e cumprimento de lei. Infelizmente, há muitos cristãos assim! Alguns filhos de Deus ficam indignados quando um novo convertido carnal recebe bençãos de Deus. Não aceitam que o Pai abençoe pessoas que, para eles, não são dignas de bençãos. Este era o problema do irmão do filho pródigo: ele não tinha revelação do amor do Pai, ele desenvolvia um relacionamento “mecânico” com o seu pai e seu irmão. A resposta do pai. Vejamos, nos versos 31 e 32, a resposta do seu pai: “Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu. Era justo, porém, regozijarmo-nos e alegramo-nos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado.” Esta resposta revela o coração de um pai que ama o filho simplesmente porque é filho e não um coração que ama o filho apenas quando este trabalha e cumpri regras. O que estava em questão não era trabalho e leis, era RELACIONAMENTO Pai-Filho. Se você está a espera das bençãos de Deus somente porque tem trabalho muito e cumprido regras, mude então o seu coração, para que não fique com ciúmes das bençãos de Deus na vida dos outros. Na verdade, você tem direito às bençãos de Deus simplesmente porque é um filho de Deus! Trabalhar para o Pai e cumprir os seus mandamentos é óptimo, mas não temos que exigir bênçãos por causa disso. Vamos permitir que o Pai abençoe-nos simplesmente porque somos seus filhos e estamos sempre com ele. O que o Pai celeste também tem para dizer-nos é “tudo o que é meu é teu”. |